Área Técnica Integrada 13/06/2017


Uma brincadeira passou a circular entre os empregados da área técnica da Itaipu Binacional no final de 2016: Itaipu é a única usina do mundo a contar com nove dígitos na sua produção anual de energia.
De fato, ao romper a barreira dos 100.000.000 MWh, a empresa entrou para um clube tão exclusivo que só tem um sócio. Nenhuma outra usina do mundo, em toda a história, foi tão longe e registrou um desempenho tão alto.

Buscar as razões para o recorde exige uma viagem que percorre a história da empresa, desde o seu projeto inédito para a época, a solidez da construção e das instalações eletromecânicas, até alcançar os exigentes níveis de manutenção e operação.

Mas uma palavra é comum entre os gestores da área técnica: integração.

O superintendente adjunto de Engenharia, Jorge Habib Hanna El Khouri, compara o desempenho da usina com um carro de Fórmula 1. “O que faz um carro campeão?”, questiona. “Não adianta você ter uma bela máquina na mão de um piloto ruim. Não adianta ter um bom piloto e a máquina não ajudar. E não adianta ter máquina e piloto e a pista cheia de buracos”, comenta.

Segundo ele, Itaipu é resultado da combinação entre uma excelente máquina, precedida de um excelente projeto, nas mãos de um corpo de pilotos excelentes. A integração desses componentes produziu uma empresa campeã.

“Você não consegue acertar uma máquina mal projetada ao longo da vida, porque não há mecanismo de restabelecer bons níveis de eficiência. E Itaipu foi projetada em uma época (nos anos 1970) em que a excelência falava mais alto do que qualquer outro parâmetro”, relembra.

“Combinada com a questão do corpo técnico, de uma equipe de Engenharia, Obras, Manutenção e Operação, que vêm mantendo essa usina no máximo de eficiência e atualização tecnológica, temos os resultados de hoje. Estamos colhendo o fruto do que foi plantado há mais de 40 anos”, diz Habib.

Para o superintendente de Obras, Antonio Carlos Fonseca Santos Junior, a integração entre as áreas da empresa é como os elos de uma corrente: se houver um ponto fraco, ela arrebenta. “Todos esses elos têm de estar muito coesos. Porque é impossível você pensar numa coisa desse tamanho (os 100 milhões de MWh) sem o apoio das diferentes áreas da empresa”, diz.

Para garantir que nenhum desses elos se rompa, é preciso uma estrutura estável e confiável. Fonseca cita que a empresa faz um controle rigoroso da barragem, com mais de três mil instrumentos, que são verificados diariamente. “Acredito que, se necessário, poderemos contar com essa fonte de energia por mais de 200 anos”, estima.

Olhando para trás, o superintendente ressalta os desafios dos pioneiros em projetar e levantar uma usina que era totalmente fora de qualquer padrão. “Se você pensar que isso aqui, há 50 anos, era apenas um rio e hoje temos uma coluna de água desse tamanho, uma muralha de água, segura por uma barragem, é impressionante”, disse.

“Foi um trabalho muito cuidadoso, que envolveu muitos estudos, muita pesquisa e muita mão de obra. O pessoal que amassou o barro inicial tem um valor inestimável”.

Hoje, o Sistema de Operação e Manutenção (SOM) dá as diretrizes para a área técnica sobre o que fazer, como fazer, onde fazer e quando fazer. “Nossos procedimentos são muito rígidos e muito bem definidos. Quando uma máquina para, a equipe sabe exatamente o que deve ser feito”, comenta o superintendente adjunto de Manutenção, Cléber Pimenta.

Mas como equilibrar manutenção, disponibilidade das máquinas e alta produtividade? Pimenta lembra que, em 2012, foi desenvolvido um extenso programa para rever a periodicidade das manutenções, com ganho acentuado de disponibilidade. Máquinas trabalhando por mais tempo significa mais energia gerada.

“Conseguimos otimizar a periodicidade e o tempo de execução das manutenções, mantendo a confiabilidade do sistema”, afirma. Os resultados confirmam o acerto da decisão. Neste ano, o índice de indisponibilidade forçada – que é o que se tenta evitar a todo custo na usina – deve fechar em 0,08%, considerado referência mundial, de tão baixo.

Curiosamente, foi a parada de uma unidade geradora (a U6), em 2010, que permitiu aos engenheiros de Itaipu concluir que a periodicidade das manutenções poderia ser alterada sem afetar a segurança. A máquina foi completamente desmontada e montada, em um período de 19 meses, gerando expertise e um banco de dados inédito, com 36 mil fotos e 1.320 minutos de filmagem.

“A U6 nos deu a possibilidade de ter um ganho de conhecimento técnico muito grande e a certeza de que poderíamos mexer na periodicidade”, disse Pimenta. “Percebemos também que um grande fator de sucesso é não querer inventar a roda. Tem que testar, tem que ter confiabilidade, antes de implantar na máquina”.

O superintendente de Operação, Celso Torino, acrescenta que, das quatro variáveis que determinam a produção de energia em uma usina hidrelétrica (afluência, disponibilidade das máquinas, sistema de transmissão e consumo), a mais escassa é também a menos controlada: a água.

“São Pedro não é paraguaio nem brasileiro”, brinca. “A água não vai se ajustar ao que a gente planeja na usina. Por isso, temos que ter a humildade de aceitar que a natureza está no comando. E que cabe a nós trabalhar com o que ela nos traz”, comenta.

Foi essa a preocupação que norteou as discussões de 2012, para aproveitar ao máximo possível os períodos de maior vazão do Rio Paraná. “A água é um elemento escasso: verteu, perdeu. Por isso, começamos um grande processo de ajuste nas quatro áreas (da Diretoria Técnica) para ‘dançar com as águas’, porque não dá para controlar a natureza.”
Torino chama a atenção para o fato de que todos os quatro elementos chave para produção de energia tiveram um bom desempenho em 2016; mas nenhum foi excepcional, que justificasse por si só os 100 milhões de MWh. A afluência, por exemplo, em quase 33 anos de produção, foi apenas a quinta melhor da série histórica. A disponibilidade das máquinas, de 96%, foi muito boa, mas igual à de 2015, quando foram gerados 89 milhões de MWh.

O mesmo pode ser falado da transmissão e do consumo – este último item, por sinal, sofreu os efeitos da crise econômica. “Ou seja, a soma dos ótimos locais não dá o ótimo global. Esse é o conceito”, explica. “Por isso, a questão não é aumentar cada variável isoladamente; a questão é trabalhar a integração dessas quatro variáveis, assim como trabalhamos a integração nacional e binacional dos parceiros internos e externos de Itaipu”.

Divisão de Imprensa | Itaipu Binacional

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